SABERES ANCESTRAIS

Os saberes ancestrais são raízes que sustentam a memória, a identidade e a espiritualidade dos povos indígenas. Neste espaço, destacamos a sabedoria de Dora, Socorro e Washington, mestres de saberes tradicionais dos povos Tuxá e Pankararu, que resistem às violências impostas e mantêm viva a conexão com a terra, as águas e os seres sagrados do território.

Dorinha Cá Arfer Tuxá

É uma das grandes mestras do povo Tuxá, guardiã da memória, da história e das tradições de sua comunidade. Sua relação com a terra e o rio começou cedo, quando aprendeu a ouvir e a respeitar os ritmos da natureza, cultivando uma sabedoria que hoje sustenta a espiritualidade e os modos de vida Tuxá.

Reconhecida pela firmeza de sua voz e a potência de sua presença, Dorinha é referência no toré, conduzindo os cantos sagrados que fortalecem a união e a identidade do seu povo, sendo um fio que conecta as gerações, preservando as narrativas e o espírito de resistência que atravessam os Tuxá.

Sua voz ecoa não apenas nos rituais, mas também nos espaços de resistência, onde ela denuncia as violências e reafirma a força das tradições Tuxá como caminhos de cura, memória e continuidade.

Como mestra de cabeceira, Dorinha Tuxá é um pilar que sustenta as raízes ancestrais de seu povo. Sua vida dedicada à preservação dos saberes e à luta por justiça é um testemunho da resiliência e da profundidade da cultura Tuxá, inspirando aqueles que vêm depois a continuarem a caminhar com força e dignidade.

Foto por: Kuhamatí Tuxá
Foto por: Kuhamatí Tuxá

Socorro Jurum Tuxá

É uma liderança espiritual e guardiã dos saberes tradicionais do povo Tuxá de Rodelas, profundamente reconhecida por sua íntima relação com a ciência das matas. Seu conhecimento das plantas medicinais e dos ciclos da natureza é fruto de uma sabedoria ancestral transmitida por gerações, que conecta o ser humano à terra, ao rio e ao equilíbrio entre todos os seres.

Com suas práticas de cura, Socorro utiliza as ervas para tratar corpo e espírito, atuando como uma referência de cuidado e resistência não só em sua comunidade, mas também no município. Mais do que conhecer as plantas, ela compreende a natureza como um território sagrado, onde cada folha, raiz e água carrega um sentido maior de vida e conexão espiritual.

Nascida e criada às margens do Rio São Francisco, Socorro viu as transformações e perdas impostas ao território Tuxá, mas permanece firme, mantendo vivas as práticas de cura e os saberes que sustentam a identidade de seu povo. Sua atuação é um testemunho de resistência e um compromisso com a preservação da sabedoria indígena, que vê na relação com a natureza um caminho de cuidado, equilíbrio e memória.

Washington Pankararu – Pajé Jaguriça

Pajé Jaguriça é uma das grandes lideranças espirituais do povo Pankararu-Opará, guardião dos saberes ancestrais e da conexão sagrada com o Rio Opará (São Francisco). Desde cedo, caminhou entre os ensinamentos do Ouricuri e as vozes dos mais velhos, construindo uma relação profunda com a terra, os encantados e os ritmos da natureza.

Reconhecido pela força de sua espiritualidade e pela arte que carrega no corpo e na voz, Jaguriça é o elo entre os mundos físico e espiritual. Seus cantos sagrados e práticas xamânicas são ferramentas de cura e resistência, preservando as tradições e fortalecendo a identidade de seu povo.

Na luta pela retomada das terras ancestrais e na defesa do território Pankararu, Pajé Jaguriça carrega em si a memória dos que vieram antes e a visão de um futuro mais justo. Sua presença é um testemunho vivo de resistência, espiritualidade e arte, inspirando as novas gerações a seguirem conectadas com suas raízes e com a força do Rio Opará.

Foto por: André Souza