
O projeto OPARÁ investiga as conexões entre genocídio, ecocídio e resistência indígena na Bacia do Rio São Francisco, com ênfase nas trajetórias dos povos Tuxá e Pankararu. Guiado pela ecologia política e por uma abordagem decolonial, o projeto busca documentar e refletir sobre os impactos da destruição ambiental e cultural que afetam essas comunidades, evidenciando as relações entre a devastação de seus territórios sagrados e a imposição de violências sistemáticas.
Sob a coordenação de Felipe Milanez e Felipe Cruz Tuxá, o projeto reúne uma equipe colaborativa, incluindo os estudantes indígenas Flavio e Gabriele, do povo Pankararu, e Kuhamatí, do povo Tuxá. Também integra mestres dos saberes tradicionais — como Washington Pankararu, Dora Cá Arfer Tuxá e Socorro Jurum Tuxá —, cujas vozes e vivências são fundamentais para a condução de uma pesquisa que rejeita o extrativismo e respeita os modos próprios de interpretar e vivenciar o mundo.
A investigação explora as consequências de intervenções como a construção de barragens, que submergiram territórios sagrados e forçaram o deslocamento de comunidades, provocando desestruturações sociais, culturais e ecológicas. No caso dos Tuxá, territórios como a Velha Rodelas e a Ilha da Viúva foram apagados pelas águas, marcando uma ruptura profunda com os espaços que sustentavam práticas espirituais e formas de cultivo que expressavam o equilíbrio entre a terra e o rio. Para os Pankararu, as pressões sobre o território e a luta por sua preservação revelam uma resistência que articula memória, espiritualidade e defesa da biodiversidade.
A destruição dos territórios indígenas, compreendida dentro de uma ecologia política, não é apenas um ataque ao espaço físico, mas também à autonomia desses povos sobre suas práticas, narrativas e saberes. A pesquisa ilumina as formas de insurgência que desafiam essas violências, ressignificando o território e reafirmando o vínculo indissolúvel entre natureza e cultura, base de suas cosmologias e modos de vida. O projeto considera esses saberes como parte de uma ecologia sagrada, onde o Rio São Francisco não é apenas um recurso, mas um ser com agência própria, central em suas resistências e rituais.
Este projeto é realizado por uma equipe colaborativa, comprometida com a documentação, memória e resistência dos povos Tuxá e Pankararu.
Coordenação:
• Felipe Milanez
• Felipe Tuxá
• Louise Wise
Pesquisadores:
• Flávio Pankararu
• Gabriele Pankararu
• Kuhamatí Tuxá
Website criado e desenvolvido por Kuhamatí Tuxá